S07-10

S07-10

Os filmes que habito: cartogenealogias do presente

Este  trabalho apresenta uma experiência de pesquisa com filmes, ali desde onde nos permitem acompanhar algo das políticas/práticas de subjetivação do/no presente. Neste escrito-(auto)experimentação proponho a cartogenealogia como disposição ético-político-estético-epistemológica para a produção de entradas de problematização em pesquisa(-in[ter]venção). O objetivo desta experimentação é compor mapas-processuais-analíticos sobre regimes de verdade em torno de gênero e sexualidade em suas intersecções com outros marcadores de diferença. A partir da aposta de fazer morada em filmes (proposição central nesta insurgência ético-epistemológica), arriscamos o (im)possível gesto de ficcionar (fabricar) ontologias do nosso tempo e cultura. Em consequência disso podemos sentir-viver modos outros de subjetivação nos e com os filmes. Isso implica um exercício na direção de uma prática reflexiva da liberdade – que busca ampliar as formas de (auto-)constituição/ governo de nós mesmxs. Os resultados dessa experimentação apontam para rotas pós-críticas sobre modos de produção, fixação e governo da diferença, especialmente desde seus efeitos de em torno de norma, abjeção e resistência. Isto é, as rotas de singularização da existência –  ou modos de vida – encarnadas em imagens-movimento (Deleuze, 1983) em uma tela de cinema nos permitem pensar em filmes como cartografias do in-mundo: “mundos que se criam para expressar afetos contemporanâneos, em relação aos quais os universos vigentes tornaram-se obsoletos” (Rolnik, 2006/ 2011, p.23). Portanto, cartografias fílmicas como lances para uma ontologia do  presente (Foucault, 2001): através de um filme e atravessado por ele, temos a chance de aumentar as margens de liberdade para uma revisão ética do modo como viemos agindo, como viemos nos governando (a partir das formas de governo que precipitam nosso agir) e como tentamos, de alguma maneira, governar xs outrxs – especialmente na posição de docente/pesquisador, foco privilegiado desta experimentação autocartográfica. Entre os filmes que habito encontram-se obras que operam com e nas dissidências de gênero e sexualidade em suas distintas posições interseccionais e contexto-dependentes.  Essa experimentação ensaia afirmar que filmes funcionam como mapas processuais que permitem acompanhar algo das políticas (de subjetivação) do presente, transbordando subjetividades in-mundos outros; com isso, somos arremessadxs à possibilidade de algum outramento de si – produção de dobras em nossas subjetividades.  Assistir a determinados filmes significa, muitas vezes, a possibilidade de habitar seus planos. E, em certa medida, ser por eles habitado. Com isso, afirmamos que mais do que propriamente cartografar algo (o que pode anunciar algum devir colonial), somos pela arte- cinema cartografados. Palavras-chave: Cinema; Cartografia; Genealogia; Políticas de Subjetivação; Gênero; Sexualidade.

Firmantes

Nombre Adscripcion Procedencia
Fernando Pocahy Universidade do Estado do Rio de Janeiro Brasil

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