S02-03

S02-03

Lugar de fala e ressignificação da linguagem em espaços queer

O termo “otras inadecuadas” é usado na discussão de Femenías (2007) para o deslocamento que marca diferenças e interseccionalidades (raça, classe, descolonialidade) entre as lutas feministas – neste caso, das mulheres latinoamericanas. É impossível ignoraras particularidades dos diversos grupos sociais, cujas histórias foram escritas por meio de poderes e hierarquias que construíram políticas e identidades próprias. 

A mulher lésbica é também a “outra” e a “inadequada”, e aqui toma-se emprestado o termo para discutir o poder da linguagem em espaços lésbicos. Em muitos países, movimentos sociais feministas tem despertado a atenção para a linguagem, a fim de desconstruir machismos e sexismos.

Este trabalho utiliza uma metodologia interdisciplinar, que reune olhares da Antropologia (por justaposição de relatos pessoais e observação etnográfica) e História (memória e oralidade), e uma revisão bibliográfica que atende aos conceitos de identidade, estereótipos, linguagem e teorias lésbicas (Stuart Hall; Ella Shohat e Robert Stam; Judith Butler; Monique Wittig e Jules Falquet). De caráter exploratório, este trabalho busca analisar qualitativamente subjetividades referentes ao uso de alguns termos e analisa ideologias e discursos implícitos dentro da linguagem que se refere a homossexualidade feminina. 

Alguns termos, como queer, zorra, vadia e puta, originalmente pejorativos, são objeto de reapropriação e ressignificação. Termos que se referem à mulher lésbica, como sapatão, caminhoneira, fancha (Brasil), bollera, tortillera, lela (países hispano-hablantes), gousse e jules (França), butch e dyke (EUA) que eram pejorativos, agora são usados pelas lésbicas como aceitação da orientação afetiva, identidade e gesto político. Dois pontos importantes surgem nesta análise: recusam-se termos que referenciam a partir do macho – como marimacho machorra; e o lugar de quem fala é importante: esses termos não estão autorizados aos desconhecidos nas ruas. 

Enfim, estes termos, reapropriados, tem seu significado e força transformados nos últimos anos, com um papel fundamental na construção de identidades e relações. Assumir termos outrora pejorativos refaz seus significados e desmonta machismos e preconceitos, em direção a igualdade e respeito. Porém, termos que empoderam também podem limitar: quem é a mulher que a lésbica deseja? Que corpo, que sexo? Para que construção social de gênero se dirige este afeto? A linguagem cria fronteiras ou é uma estratégia para atravessá-las? Enfim, há que se repensar gramáticas, linguagens e expressões; e, parafraseando Preciado (2019), retomar alguns termos: dissidentes, mas não disfóricos; putas e sapatonas, e não desviadas e anormais. Provavelmente não temos uma crise de gênero, mas uma revolução.

Palabras clave: género, feminismo, mujeres, lesbianas, queer, lenguaje.

Firmantes

Nombre Adscripcion Procedencia
silmara simone takazaki Universidade Federal de Santa Catarina (BR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (BR) y Universidad Complutense de Madrid (ES) Brasil

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