S06-10

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Ética kantiana, ethos jornalístico e fake news

Por seu dinamismo e complexidade, as sociedades urbano-industriais são movidas a grande volume de informações. Estas, para que cumpram suas funções de orientação social, devem ser confiáveis e não arbitrárias. Dessa exigência nasce o jornalismo, cujos princípios foram influenciados por movimentos intelectuais como o Iluminismo.

Entre os pensadores iluministas que edificaram a ética moderna destaca-se Immanuel Kant. Este trabalho retoma suas formulações com o objetivo de elucidar o contemporâneo debate sobre pós-verdade e fake news.

O trabalho inicia-se com o resgate da analítica kantiana – esboçada na Fundamentação da Metafísica dos Costumes – que parte da boa vontade, passa pelo dever e chega à liberdade das determinações morais.

Em seguida apresenta-se a ética jornalística como tributária dessa formulação. O jornalismo é praticado por dever; seu valor moral não reside em propósitos pragmáticos, mas nas máximas que o determinam: divulgar o verossímil, respeitar as fontes. A ideia de dever como base do ethos jornalístico deriva da ética iluminista, que contribuiu para a construção da normatividade nessa área.

Por fim, mostramos como a formulação kantiana contribui para elucidar dilemas contemporâneos no âmbito do intercâmbio de informações, hoje potencializado pelo advento das redes digitais. Nesse ambiente volátil, o prestígio da fonte surge diminuído; flexibilizam-se as instâncias tradicionais de validação da informação. Configura-se, assim, a atmosfera epistemológica denominada pós-verdade, ambiente propício à circulação de fake news.

Entre os fatores determinantes dessa atmosfera, levanta-se a hipótese da dissolução dos valores do Iluminismo, processo que leva à falência de referenciais éticos e à perda de credibilidade do jornalismo. Quando o jornalismo revela-se terreno movediço, a serviço não de princípios puros, mas de inclinações egoístas oriundas do mundo material, o cidadão passa a buscar outras fontes de informação supostamente credenciadas.

À era da pós-verdade pode corresponder, então, um “pós-jornalismo”. Ele não é mais aquele que pergunta, reflete, interpreta, mas o que reitera a realidade conforme os lobbies que defende. Ao comportar-se dessa maneira, o jornalismo perde legitimidade. De bússola da esfera pública, torna-se uma fonte de convicção entre outras.

Nesse contexto, que ameaça a experiência democrática, sobreleva-se a importância da ética kantiana. Ela pode servir ao combate às tendências de relativização do verossímil, fenômeno com dimensão moral irrecusável. A atitude ética deve compreender a divulgação responsável de informações como máxima dedutível do imperativo categórico. Afinal, se o falseamento da informação fosse tomado por lei universal da racionalidade, teríamos a própria implosão do intercâmbio informacional.

Palavras-chave: Ética; Iluminismo; ethos profissional; jornalismo; pós-verdade; fake news.

Firmantes

Nombre Adscripcion Procedencia
Palácio de Azevedo Fábio Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Brasil
Capovilla Luz Cristiano Leonardo de Allan Kardec Universidade Federal do Maranhão Brasil

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